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Semana triste para os inimigos de Paulo Vieira – 27/05/2025 – Rosana Hermann

Essa semana, gastei todo o meu estoque de elogios. Logo eu, que sou econômica no uso de termos como “gênio” ou “genial”, e que sou muitas vezes acusada de ser crítica e exigente. Mas, desde o dia 22 de maio, quando estreou a série de humor “Pablo e Luisão”, fui obrigada a rasgar seda, puxar o saco, babar ovo, lamber bota e renovar minha carteirinha de fã número 1 de Paulo Vieira.

A série, baseada em fatos reais vividos por Paulo Vieira na infância, no Tocantins, é divertida, popular, encantadoramente bem roteirizada, produzida, encenada e dirigida. Os diálogos são enxutos, precisos.

A direção de arte chega a ser tocante e bate direto na memória afetiva de milhões de brasileiros que, assim como eu, cresceram em uma família de “classe pobre alta”. (Inventei essa expressão porque nunca gostei do termo “classe média baixa”. Aquele “baixa” no final deixa a gente deprimido, para baixo. “Pobre alta” termina numa ascendente e enche a gente de esperança!).

Não bastassem todos esses predicados, “Pablo e Luisão” é absurdamente original e sensivelmente humana.

E tem ela, a linguagem —totalmente inovadora, como tinha que ser. Começa pelo fato de a série ter nascido no antigo Twitter. Fui testemunha desse momento mágico, em agosto de 2020, quando Paulo começou a contar as histórias de seu pai, Luisão, e do melhor amigo dele, o Pablo. (O fio de postagens ainda está no ar).

As pessoas acompanharam as histórias, começaram a pedir mais, a dizer que elas tinham que virar um quadro, um filme, uma série. E Paulo manteve a mesma informalidade da linguagem da rede social em seu papel de “narrador-autor onisciente”.

Cada episódio começa com Paulo lançando seu bordão: “Eu já falei pra vocês…?”. E aí, senta que lá vem história doida, inusitada e divertida. A cerca elétrica que fez o que nem Tesla conseguiu. O padre golpista e os santos do pau-oco. O episódio da fazenda de avestruz, encenado como se fosse um programa do Casos de Família. É tudo muito surreal.

E, no final dos episódios, vemos os personagens reais —Luisão, Conceição, Pablo— comentando o caso de forma natural, com Paulo fora de quadro, conduzindo a conversa.

Em cada história, estão as referências, os “easter eggs” escondidos. De repente, a gente vê uma empresária que parece a Marlene Mattos. Uma cena do galo demoníaco que parece ter saído de um filme do Hitchcock. Conceição, revolucionária, mostrando o braço forte e indo para a luta ao som da Internacional Comunista. São tantas pérolas que daria para fazer um colar de três voltas.

Felizmente, não estou sozinha na bajulação. A crítica amou a série —assim como o público, que a colocou em primeiro lugar entre as mais assistidas da plataforma Globoplay. Tudo indica que a série vai ter novas temporadas, que Paulo Vieira vai ser merecidamente consagrado e que vamos ser brindados com muitas gargalhadas.

Num momento em que vemos tantas nulidades triunfando, é um bálsamo ver o talento da nossa “brasileiridade” sensível, afetuosa e divertida fazendo sucesso. Um sucesso que veio para ficar e que vai crescer cada vez mais.

Os haters de Paulo que lutem.

Rosana Hermann é jornalista, roteirista de TV desde 1983 e produtora de conteúdo

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