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Estudante também antecipa questões da reaplicação do Enem – 23/12/2025 – Educação

As apostilas atribuídas ao estudante de medicina Edcley Teixeira voltaram a apresentar questões muito semelhantes a provas do Enem. Dessa vez, foram antecipadas perguntas da reaplicação, realizada nos dias 16 e 17 de dezembro. O caderno de provas foi divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) nesta terça-feira (23).

A reaplicação foi voltada para alunos que não puderam fazer o teste nos dias originais por problemas previstos no edital, como doenças contagiosas ou problemas logísticos.

A Folha comparou cópias de materiais digitais divulgados por Edcley em pastas virtuais —como a intitulada “Estarão no Enem”— retiradas das redes sociais após a repercussão do caso. Parte desses arquivos também circulava em grupos e perfis na internet, de onde a reportagem obteve o conteúdo.

Em ao menos duas questões, a reaplicação do Enem reproduz a mesma estrutura lógica presente nos exercícios das apostilas, com alterações pontuais de valores, personagens ou contexto, mas mantendo o raciocínio central exigido do candidato.

Em um dos casos, a questão oficial trata da compra inicial de 40 televisores, com preço unitário de R$ 1.200 e custo de frete previamente definido, seguida de uma redução de 60% no valor do transporte. A partir desse desconto, o candidato deve recalcular a quantidade de aparelhos adquiridos e comparar o gasto final com o planejamento inicial.

No material atribuído a Edcley, o problema parte do mesmo cenário matemático: 40 televisores, preço unitário idêntico e redução de 60% no custo do frete. A diferença está no enunciado e na pergunta final, que solicita o número máximo de televisores adicionais comprados sem ultrapassar o valor inicialmente previsto. Em ambos os casos, a resolução exige o mesmo encadeamento de cálculos.

Outra semelhança aparece em uma questão de análise combinatória. Tanto a reaplicação do Enem quanto o exercício das apostilas tratam da formação de códigos numéricos de 13 dígitos, com os três primeiros fixos —7, 8 e 9— e regras específicas para os demais algarismos. Nos dois enunciados, a solução depende da aplicação do princípio multiplicativo para calcular o total de combinações possíveis.

Procurado para comentar sobre o novo episódio, o Inep afirmou que mantém o posicionamento já apresentado anteriormente à Folha.

Em entrevista anterior, o presidente do instituto, Manuel Palacios, disse que a equipe iniciou uma avaliação em larga escala após os primeiros relatos de semelhanças entre questões do Enem e materiais estudados por Edcley. Segundo ele, a análise não encontrou indícios de acesso prévio à prova. “Ninguém viu a prova”, afirmou.

Palacios atribuiu as coincidências à memorização de questões pré-testadas pelo Inep e disse que o episódio não compromete a segurança nem a validade das notas. “O que havia eram questões semelhantes, com maior ou menor proximidade, mas nenhuma era idêntica”, declarou.

Segundo o presidente do Inep, o pré-teste envolve itens isolados e não provas completas. Ele afirmou que mais de 4.000 questões já passaram por esse processo, considerado essencial para garantir a comparabilidade entre diferentes edições do exame.

À Folha Edcley voltou a negar qualquer vazamento na noite dessa terça-feira (23). Disse receber “com serenidade” a informação de que questões da reaplicação dialogam com materiais que publicou gratuitamente na internet. Segundo ele, a coincidência representa uma validação técnica de sua análise preditiva, baseada exclusivamente em conteúdos recorrentes do Enem.

Edcley afirmou realizar um trabalho contínuo de análise estatística e pedagógica dos padrões do exame ao longo dos anos. Segundo ele, quando antecipou temas ou estilos de cobrança, isso ocorreu a partir do estudo da matriz de referência do Inep, sem acesso privilegiado a informações sigilosas.

O universitário disse ainda manter respeito pelas instituições responsáveis pelo exame e confiança na lisura do processo avaliativo.

Além dessas, a Folha identificou outras duas questões que, embora distintas, partem de textos literários semelhantes. Em uma delas, de língua portuguesa, tanto o Enem quanto a apostila utilizam trechos do conto “O diplomático”, de Machado de Assis. Na prova oficial, o enunciado traz um fragmento inicial da obra e pede a identificação de características do ideário realista do século 19. No material atribuído a Edcley, o exercício parte do trecho seguinte do mesmo conto e cobra a análise psicológica do personagem Rangel.

Em outra questão, do caderno de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, a reaplicação do Enem aborda o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com foco nos impactos ambientais, sociais e econômicos da política pública no SUS (Sistema Único de Saúde). Tema semelhante aparece em materiais atribuídos ao estudante, baseados em textos oficiais do Ministério da Saúde.

Entenda o caso

Aluno de medicina da Universidade Federal do Ceará, Edcley passou a ganhar projeção nacional ao divulgar previsões de questões que depois apareceram na aplicação regular do Enem 2025, além de provas de 2023 e 2024 e da reaplicação no Pará.

Em vídeos publicados em seu canal no YouTube, e posteriormente retirados do ar, afirma que suas previsões se baseiam na análise de questões de pré-testes aplicados pelo Inep para calibrar itens futuros do exame. À Folha, disse que o desempenho decorre da experiência acumulada em 13 participações no Enem e do que define como um “método de percepção algorítmica”, construído a partir da leitura de editais e da observação de padrões recorrentes nos enunciados.

O caso levou o MEC (Ministério da Educação) a anular três questões do Enem 2025 e a acionar a Polícia Federal, após a circulação de vídeos em que Edcley apresentava exercícios semelhantes aos aplicados na prova nacional de novembro.

Além das coincidências pontuais entre questões, o estudante também antecipou a adoção do chamado testlet —modelo que reúne cinco itens ancorados em um mesmo texto-base. O formato estreou oficialmente no Enem 2025 e voltou a aparecer na reaplicação realizada no último domingo (30), no Pará.

Palacios afirmou que a adoção do testlet não esteve sob sigilo e integra um processo de modernização do exame. Segundo ele, o modelo preserva as habilidades tradicionalmente avaliadas e busca tornar a prova mais contextualizada e precisa.

Questão da prova de reaplicação do Enem

Questão do material de Edcley

Questão da prova de reaplicação do Enem

Questão do material de Edcley

Questão da prova de reaplicação do Enem

Questão do material de Edcley

Questão da prova de reaplicação do Enem

Questão do material de Edcley

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