segunda-feira , 20 abril 2026
Lar Saúde Como superar o medo de dentista – 19/04/2026 – Equilíbrio
Saúde

Como superar o medo de dentista – 19/04/2026 – Equilíbrio

O som agudo da maquininha, o cheiro característico do consultório e a expectativa da anestesia são gatilhos para muita gente que tem medo de ir ao dentista. Só a ideia de se sentar na cadeira e abrir a boca faz muitas pessoas ficarem apavoradas. Para alguns, esse medo tem origem em experiências passadas, nas quais o profissional não foi muito didático ou acolhedor; outros desenvolvem receio a partir de relatos negativos de pessoas próximas. A boa notícia é que casos como esses tendem a diminuir.

A mudança começa já na infância: nos primeiros contatos com o dentista, muitas crianças encontram hoje ambientes mais acolhedores, pensados justamente para evitar a chamada “odontofobia”.

“Nesses casos, elaboramos uma abordagem adaptada a essa faixa etária. Usamos técnicas como explicar e demonstrar exatamente o que será feito, usando linguagem lúdica com atitude acolhedora, criando uma vivência positiva”, relata a cirurgiã-dentista Mariana Henriques Ferreira, professora dos cursos de pós-graduação em Odontologia Hospitalar e em Pacientes com Necessidades Especiais, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).

Respeitar o ritmo dos pequenos e construir vínculo desde cedo também faz diferença. “Hoje tratamos crianças antes mesmo dos primeiros dentes crescerem, daí o cuidado para que se sintam bem no ambiente. Em alguns casos, o paciente recebe um vídeo do profissional antes do primeiro contato pessoal para começar a se acostumar com sua figura”, conta o odontologista José Carlos Pettorossi Imparato, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp).

Entre os adultos, é mais comum que o especialista se concentre em ouvir suas queixas e explique como será o procedimento. “Além disso, hoje temos recursos e equipamentos muito mais modernos e menos invasivos, como o uso da laserterapia de baixa potência antes da anestesia injetável, o que faz com que o tratamento seja muito menos desconfortável”, afirma a cirurgiã-dentista Letícia Mello Bezinelli, coordenadora da graduação em Odontologia da FICSAE.

Em algumas situações, os lasers dentários podem substituir a broca e a anestesia. Eles utilizam energia de luz focada para tratar tecidos moles, como a gengiva, e duros, como os dentes, sem contato físico, vibração ou ruído. Outro avanço é a microabrasão, que permite preservar a parte saudável do dente, em vez de raspar toda a estrutura para tratar uma cárie, por exemplo. Também são destaques recentes as cerâmicas e resinas de alta resistência e a impressão 3D, que possibilita personalização de implantes e próteses.

Acesso ainda é desigual

Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), divulgado em 2025 durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, revela que o acesso a tratamentos odontológicos no Brasil é desigual.

De acordo com a pesquisa, 68% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista no último ano, mas apenas 23% fizeram esse atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os entrevistados com ensino superior, 75% haviam se consultado com um dentista; entre os que têm o ensino básico, esse índice foi de 54%.

Mas ir ao dentista não é capricho. Quanto mais o paciente mantém consultas regulares, em vez de procurar o consultório apenas diante de dor ou incômodo, menor é a probabilidade de precisar de intervenções mais invasivas. Em geral, recomenda-se uma visita ao ano para quem não tem sintomas. A depender da condição de saúde tanto geral quanto bucal, podem ser recomendadas duas consultas anuais.

Como lidar com o medo

Além de escolher um profissional em quem você confie, antes e durante a consulta, vale investir em técnicas de relaxamento, como respiração profunda, e apostar em estratégias de distração, com músicas e conversas leves. Levar um acompanhante que transmita segurança também pode ser uma alternativa.

Nos casos mais intensos de medo, a ajuda psicológica pode ser indicada. Para pacientes com ansiedade intensa ou fobia, opções de sedação consciente, podem ser consideradas após avaliação clínica. “O uso de sedativos pré-consulta também pode ser útil em casos selecionados, sempre sob supervisão profissional. Em situações determinadas, podemos realizar procedimentos odontológicos em âmbito hospitalar, com anestesia geral”, acrescenta Bezinelli.

FONTE

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Red pill: Veja qual o significado da tatuagem de borboleta – 19/04/2026 – Equilíbrio

A tatuagem de borboleta é o novo alvo do movimento red pill,...

Temi um tumor, diz mãe de menino envenenado com vitamina D – 18/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

O menino Roo, 7, ficou doente no início do ano passado. Sintomas...

Posto de saúde chega a área isolada do Amazonas – 18/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

Na semana em que o mundo celebrava uma missão histórica ao redor...

Veerle Hegge fala em livro sobre sua vida com anorexia – 17/04/2026 – Equilíbrio

A esposa do primeiro-ministro da Bélgica quebra o silêncio em um livro...