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Greve de estudantes da USP cresce e chega a 15 faculdades – 20/04/2026 – Educação

A greve dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) já chegou a 15 faculdades e institutos, na capital e no interior.

Em assembleias na noite de sexta-feira (17), os institutos de relações internacionais, física e ciências biomédicas aprovaram adesão ao movimento. Da mesma forma, fizeram as faculdades de Ciências Farmacêuticas, de Educação, e a Escola de Comunicação e Artes, a ECA.

Antes, a paralisação já havia sido aprovada na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), na Escola de Enfermagem e nos institutos de química, psicologia, geociências e oceanografia.

Historicamente avessos a movimentos grevistas, os alunos da Escola Politécnica, conhecida como Poli, também resolveram aderir ao boicote —322 deles votaram a favor do movimento e 224, contra.

Ainda na quarta-feira (15), graduandos da FAUD (Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, a USP Leste, já haviam aprovado seu ingresso no protesto.

Outras graduações e faculdades ainda realizarão suas deliberações nos próximos dias, e houve um caso de não adesão: o do curso de medicina veterinária. A USP conta com 42 unidades de ensino e pesquisa.

Os estudantes grevistas pedem melhores condições de permanência, com o aumento no valor de bolsas, e denunciam a qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

A greve tem apoio do DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Outro tema que incomoda os alunos é a minuta visando a regulamentação dos espaços utilizados por centros acadêmicos. Ela tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades.

Os servidores da USP deflagravam greve nesta terça-feira (14). O motivo da mobilização da categoria é um bônus aprovado para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, cria um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A iniciativa já vinha sendo discutida havia anos e foi promessa de campanha do atual reitor, Aluisio Segurado, que assumiu o cargo neste ano.

Ela terá impacto anual de R$ 238,44 milhões aos cofres da USP.

O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais. A bonificação representaria um acréscimo de 27,5% nesses vencimentos.

Também foi o Gace que iniciou o movimento dos estudantes. Eles também fizeram paralisação nesta terça, com mais de 100 cursos participando (na capital e no interior), e agora discutem se juntar aos servidores em greve.

“Nos próximos dias, todos os cursos e campi devem se reunir e discutir se farão greve nos seus locais ou não. De nossa parte, achamos que a mobilização é irreversível e só saímos com conquistas concretas”, diz o DCE.

O QUE DIZ A USP

Em nota publicada após a aprovação da gratificação, o reitor disse que a medida tem como objetivo promover a valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente, “não apenas com vistas ao reconhecimento e à retenção de talentos, mas, igualmente, ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social”.

Segurado também afirmou que a instituição possui projetos para os servidores técnico-administrativos. Estaria em análise, por exemplo, a viabilidade econômica e de integração ao plano de carreira de uma proposta de valorização desse grupo.

A gestão anunciou ainda o reajuste dos benefícios concedidos aos servidores a partir de abril deste ano. O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050. O vale-refeição será aumentado de R$ 45 para R$ 65 por dia, além do reajuste de 14,3% do auxílio-saúde (pagamento em maio de 2026).

Sobre permanência estudantil, a USP diz que, em 2023, foi estabelecida uma política para dar suporte à permanência e a diferentes atividades de formação estudantil. Nesse contexto, incluíram-se as bolsas e auxílios de diferentes programas.

Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP.

Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas.

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