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USP: servidores aceitam encerrar greve após 9 dias – 23/04/2026 – Educação

Os servidores da USP (Universidade de São Paulo) aceitaram, em assembleia na tarde desta quinta-feira (23), as propostas feitas pela reitoria para encerrar a greve iniciada há nove dias.

A gestão de Aluisio Segurado oferece uma gratificação de até R$ 1.600 mensais a todos os funcionários, além de se comprometer a estudar um novo sistema de mobilidade interna para os trabalhadores, que não têm gratuidade nos ônibus circulares da Cidade Universitária.

O fim oficial da paralisação, porém, está condicionado a um acordo documentado, no qual constem por escrito os termos negociados, bem como o compromisso de não punição e de regularização da frequência nos dias de greve, além do agendamento de uma reunião para escuta das demandas dos estudantes, que também boicotam aulas.

Essas questões serão levadas à reitoria. Um encontro com os discentes já foi marcado para as 10h30 desta sexta-feira (24).

O comando da greve dos trabalhadores se reuniu na noite de quarta-feira (22), após uma longa mesa de negociação com a reitoria, para deliberar sobre a aceitação da proposta. O encontro ocorreu depois de uma breve assembleia dos servidores, que havia votado pela continuidade da paralisação a fim de tentar conquistar novos compromissos da gestão.

A reunião terminou sem acordo, após a gestão insistir em sua proposta inicial. No entanto, os trabalhadores dizem ter recebido um ultimato: dar uma resposta até esta quinta ou ter as propostas retiradas. A USP nega.

“Houve uma avaliação majoritária de que as propostas apresentadas representam conquistas muito importantes, fruto direto da força da nossa greve, e que as garantias reais da efetivação dos compromissos se darão por meio de nossa mobilização constante”, diz o Sintusp em boletim aos servidores mobilizados.

A assembleia desta quinta-feira teve momentos de tensão. Parte da categoria se posicionou contra a aceitação do acordo com a reitoria e tentou convencer os colegas a manter a mobilização, inclusive com críticas ao comando do Sintusp.

A paralisação teve como estopim um bônus para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.

A bonificação aos servidores seria paga mensalmente pelo mesmo período da Gace, inicialmente de dois anos, com possibilidade de prorrogação. Pela proposta da reitoria, o valor total reservado para os funcionários seria igual ao dos professores, ou seja, R$ 238,44 milhões por ano.

Essa verba seria dividida pelo total de servidores. Assim, se o valor da Gace for o anunciado, daria cerca de R$ 1.600 mensais para cada um dos 12 mil funcionários.

Estudantes ampliam mobilização

O movimento dos estudantes já chegou a 105 cursos, na capital e no interior. Assembleias ainda serão realizadas em dezenas de graduações. Dentre as faculdades sem aulas está a Escola Politécnica, dos cursos de engenharia, historicamente avessa a movimentos do tipo.

As diversas unidades e campi têm algumas pautas unificadas: melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

Outro tema que incomoda os alunos é a minuta que visa regulamentar os espaços utilizados por centros acadêmicos. Ela tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades.

Porém, são as demandas individuais que preocupam gestores da USP, e elas só crescem.

Na EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), a USP Leste, por exemplo, os alunos pedem a criação de uma moradia estudantil própria devido à distância do campus, em Ermelino Matarazzo, da Cidade Universitária, no Butantã.

O que diz a reitoria

A gestão de Aluisio Segurado afirma que tem atuado na valorização da carreira dos servidores técnicos e administrativos, com a adoção de medidas voltadas à melhoria das condições de trabalho e de remuneração.

Sobre as demandas dos estudantes, a gestão afirma possuir uma robusta política de permanência.

Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento informa que equipes técnicas estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas, e medidas administrativas estão sendo tomadas.

Quanto à minuta dos espaços estudantis, a instituição afirma que não pretende cercear a liberdade das entidades, mas garantir segurança jurídica.

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