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A era dos brinquedos com IA e os riscos para a infância – 03/07/2025 – Educação

O anúncio de que a Mattel e a OpenAI, dona do ChatGPT, estão desenvolvendo uma “Barbie inteligente” despertou curiosidade nos consumidores e movimentou o mercado no último mês. Em texto publicado em seu site oficial, a fabricante de brinquedos afirma que o acordo permitirá “projetar, desenvolver e lançar experiências inovadoras” para seus clientes. A previsão é anunciar o primeiro lançamento conjunto até o fim do ano.

Ainda que não se saiba detalhes sobre como essa parceria transformará os produtos destinados ao público infantojuvenil, e mesmo as empresas afirmando que enfatizarão “segurança, proteção e privacidade” no processo, especialistas e ativistas pela infância já demonstram preocupação.

Muita gente pode se perguntar qual a diferença entre esses brinquedos e aqueles eletrônicos disponíveis há anos, que falam ou mesmo “exigem cuidados”, como o Tamagotchi (apelidado por aqui de “bichinho virtual”), uma verdadeira febre nos anos 90. Ou o Furby, pelúcia que fez sucesso no fim da mesma década, era ativado por comando de voz e causou polêmica ao ser “acusado” de gravar as conversas de seus donos.

Todavia, as distinções são muitas e bastante profundas, especialmente no que se refere às formas de interação e conectividade. Brinquedos com sistemas de inteligência artificial embarcados, como os que Mattel e OpenAI pretendem colocar à venda, são cada vez mais comuns e ainda que sejam acessíveis apenas a uma parcela da população, é preciso ter ciência dos riscos que eles oferecem. E não são poucos.

O mais óbvio deles é a invasão da privacidade, com a captura de dados sensíveis, que podem ser gravados, armazenados e até vazados. Vale destacar que esses dispositivos também podem ser invadidos, colocando as crianças em contato com desconhecidos com intenções diversas.

É necessário lembrar também que as interações entre pessoas e sistemas de IA são mutuamente transformadoras. Se a geração anterior de brinquedos “falantes” tinha um repertório limitado de respostas possíveis, os novos “aprendem” ao interagirem e gerarem tais respostas, sendo “treinados” a cada brincadeira.

Isso, por sua vez, pode afetar o comportamento ou o estado emocional das crianças, pois essas relações podem, por exemplo, captar e ampliar alguma fragilidade delas se os filtros e controles parentais não funcionarem bem. Podem, inclusive, fazer com que elas evitem relações reais, que são muito mais complexas e repletas de nuances e desafios.

Enquanto o debate público tem se voltado essencialmente para o excesso de telas e seus perigos para crianças e adolescentes, precisamos olhar para outras questões do mundo digital que também têm impacto no bem-estar deles.

Ainda carecemos de educação digital e midiática básica para adultos, para que eles saibam como incentivar e proteger aqueles pelos quais são responsáveis. É preciso que as famílias se informem e se conscientizem sobre as vulnerabilidades que esse tipo de brinquedo pode trazer para dentro de casa.

Essa não é uma discussão apenas sobre tecnologia — é um debate sobre a infância (e também sobre o futuro dela) e o direito de brincar.

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