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Catalão: Polícia Civil prende investigado por estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil; relatos apontam possível omissão de igreja

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Polícia de Catalão, cumpriu mandado de prisão preventiva nesta terça-feira, 31 de março, contra o blogueiro Elias Monteiro, de 39 anos, investigado por estupro de vulnerável e armazenamento de conteúdo pornográfico envolvendo menores de idade, no município de Catalão.

A prisão ocorreu após o surgimento de novos elementos probatórios, especialmente a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos durante operação realizada no último dia 13 de março. Elias trabalhava com repórter no site “Zap Catalão” e, de acordo com informações, atuava como assessor de imprensa na Santa Casa de Misericórdia de Catalão.

As investigações são conduzidas pela delegada Marcela Magalhães e tiveram início após duas vítimas procurarem a polícia para relatar abusos que teriam ocorrido entre 2020 e 2021. Elias liderava o grupo de jovens da Igreja Quadrangular de Catalão, e com o avanço do caso, o número de vítimas confirmadas chegou a oito. A expectativa das autoridades é de que novos depoimentos possam surgir após a divulgação da identidade do investigado.

Em coletiva de imprensa, a delegada informou que a Polícia Civil já havia solicitado anteriormente a prisão preventiva, mas o pedido foi negado pelo Poder Judiciário com base no princípio da contemporaneidade, uma vez que os fatos eram considerados antigos naquele momento. No entanto, a situação mudou após a apreensão de materiais que indicariam a prática de crimes permanentes.

“Com a busca e apreensão, surgiram novos elementos, inclusive indícios de armazenamento de conteúdo pornográfico envolvendo menores de idade em dispositivos eletrônicos. Diante disso, representamos novamente pela prisão, agora com base em novas provas”, afirmou Magalhães.

A polícia confirmou ainda que, em uma análise preliminar, foram encontrados vídeos envolvendo menores, mas reforçou que, por se tratar de vítimas vulneráveis, não serão divulgadas informações adicionais para preservar suas identidades. Os materiais seguem em processo de extração e perícia técnica.

A prisão aconteceu na residência do investigado, o mesmo local onde havia sido cumprido o mandado de busca. De acordo com a Polícia Civil, Elias Monteiro não apresentou resistência e optou por permanecer totalmente em silêncio durante o interrogatório.

A decisão de divulgar a identidade do investigado foi tomada com autorização judicial, diante da repercussão do caso e da possibilidade de surgirem novas vítimas. A polícia reforça que eventuais denunciantes terão suas identidades preservadas e que os relatos serão apurados com rigor.

Da porta da delegacia, o advogado de defesa do blogueiro, Leandro de Paula, não deu detalhes sobre a linha de defesa, se resumindo a afirmar que irá ingressar com um pedido de habeas corpus em Goiânia. “Respeitamos a decisão do magistrado, mas não concordamos. Vamos impetrar habeas corpus para que ele possa responder ao processo em liberdade”, declarou.

Possível omissão e pressão por respostas

Paralelamente à investigação criminal, relatos que circulam entre moradores e nas redes sociais apontam para uma possível omissão de membros da Igreja do Evangelho Quadrangular em Catalão, onde o investigado teria vínculos. Segundo essas denúncias, pessoas próximas teriam tido conhecimento prévio de comportamentos suspeitos, mas não teriam acionado as autoridades.

Até o momento, a instituição religiosa não se pronunciou oficialmente sobre o caso, e o espaço segue aberto. A ausência de posicionamento tem gerado pressão por parte da população local, que cobra esclarecimentos e a devida investigação sobre eventuais responsabilidades por omissão.

A Polícia Civil não confirmou se essa linha será formalmente incluída no inquérito, mas destacou que todas as informações relevantes serão apuradas.

Investigação em andamento

A Polícia Civil reforça que crimes dessa natureza são tratados com prioridade e que nenhuma denúncia será ignorada. “Nosso compromisso é garantir que esses crimes sejam investigados e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados, assegurando a proteção das vítimas e da sociedade”, afirmou a delegada.

As autoridades orientam que qualquer pessoa que tenha sido vítima ou possua informações relevantes procure a delegacia, com a garantia de sigilo absoluto.

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