Duas instituições de ensino superior de São Paulo, a ESPM e o Insper, adotaram medidas para restringir o uso de celulares em sala de aula nos cursos de graduação a partir deste semestre, com as aulas começando na próxima semana. As regras limitam a utilização dos aparelhos durante as aulas presenciais, permitindo exceções apenas com autorização do professor para fins pedagógicos.
Na ESPM, a coordenação da graduação comunicou no início do semestre a criação dessas normas, que, além do celular, também regulam o uso de laptops e tablets em sala de aula. Pelas regras, os aparelhos devem permanecer guardados e silenciados durante as aulas.
Mesmo quando liberado, o uso deve se restringir a atividades acadêmicas. Em caso de descumprimento, o aluno pode receber advertência, conforme previsto no contrato pedagógico da instituição. A escola também recomenda que os estudantes façam anotações em caderno, como forma de estimular a memória e a elaboração de ideias.
No comunicado enviado aos alunos, a ESPM afirma que a medida tenta organizar o uso de dispositivos eletrônicos diante do aumento do tempo de exposição a telas e de seus impactos sobre atenção, saúde mental e capacidade de concentração. O texto menciona ainda riscos associados ao uso passivo de tecnologias digitais e de ferramentas de inteligência artificial, que poderiam levar ao que a instituição chama de “sedentarismo cognitivo”.
Procurada, a ESPM afirmou que não adota uma política de proibição irrestrita. Segundo a instituição, a iniciativa está alinhada ao Plano Diretor Acadêmico, que prioriza a autonomia do estudante e a orientação sobre boas práticas no uso da tecnologia, e não uma simples lógica de permissão ou veto.
Já o Insper anunciou nesta quinta-feira (29) normas com menos restritivas. A decisão foi comunicada por email aos estudantes da graduação e não se aplica à pós-graduação. Segundo a instituição, celulares e outros dispositivos eletrônicos não poderão ser usados durante as aulas, salvo quando houver autorização do professor para atividades diretamente ligadas ao conteúdo ou à gestão da classe.
Diferentemente da ESPM, a política não prevê advertências formais. Com a mudança, caberá ao professor intervir quando o uso do celular afetar o andamento da aula, sem punições automáticas. Notebooks e tablets continuam liberados.
A nova orientação do Insper foi noticiada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha. De acordo com o Insper, a medida foi influenciada pela Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025, que proibiu o uso de celulares em escolas da educação básica em todo o país (inclusive recreios e intervalos), embora a norma não alcance o ensino superior.
A faculdade afirma que a restrição responde aos impactos do uso frequente de smartphones na atenção dos alunos e na dinâmica das aulas, relatados por docentes da instituição nos últimos semestres. A decisão também se apoia em pesquisas recentes que relacionam a limitação do uso de celulares em sala de aula a melhora no desempenho acadêmico.

















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