Lar Religião Juiz manda remover cartazes dos Dez Mandamentos de escolas
Religião

Juiz manda remover cartazes dos Dez Mandamentos de escolas

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou a retirada de cartazes com os Dez Mandamentos em salas de aula de sete distritos escolares do Texas, ao considerar que a exibição obrigatória viola a Primeira Emenda da Constituição.

A decisão, proferida pelo juiz distrital Orlando L. Garcia na terça-feira, 19 de novembro, atinge escolas dos distritos independentes de Fort Worth, Arlington, McKinney, Frisco, Azle, Rockwall e Mansfield, citados em uma ação movida por famílias multirreligiosas e não religiosas.

A ação foi apresentada por advogados da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), da Americans United for Separation of Church and State e da Freedom From Religion Foundation, em nome de 15 famílias cujos filhos estudam nos distritos afetados. Os autores contestam a Lei do Senado 10 (SB 10), sancionada em junho pelo governador Greg Abbott, que exige a colocação, em local de destaque em todas as salas de aula das escolas públicas do Texas, de um pôster de 40 x 50 cm ou de uma cópia emoldurada dos Dez Mandamentos em tradução específica para o inglês.

Defensores da SB 10 apresentaram a medida como uma forma de reconhecer a “herança legal e moral” do estado. Já os críticos argumentam que a lei promove o cristianismo em detrimento de outras religiões e de pessoas sem filiação religiosa. Na decisão liminar, Garcia, indicado em 1994 pelo então presidente Bill Clinton, concluiu que a exigência “viola a Cláusula de Estabelecimento” da Primeira Emenda, que proíbe o endosso governamental de uma religião. O juiz escreveu que, devido ao alcance da norma, “é impraticável, senão impossível, impedir que os demandantes sejam submetidos a exibições religiosas indesejadas sem impedir os réus de aplicar a SB 10 em seus distritos”.

Pela decisão, os distritos devem remover os cartazes até 1º de dezembro e apresentar comprovação do cumprimento da ordem até 9 de dezembro. Esta é a segunda liminar federal que suspende a aplicação da SB 10. Em agosto, o juiz distrital Fred Biery já havia considerado a lei “claramente inconstitucional”, determinando a suspensão de sua implementação em outros 11 distritos, entre eles o Plano Independent School District (Plano ISD). O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, recorreu dessa decisão no caso “Rabbi Nathan v. Alamo Heights ISD” e é esperado que também conteste a nova liminar.

As famílias autoras da ação, entre elas judias, muçulmanas e não religiosas, afirmam que a presença obrigatória dos cartazes poderia marginalizar alunos de minorias e pressioná-los a práticas religiosas com as quais não concordam. Lenee Bien-Willner, mãe judia e uma das requerentes, declarou em comunicado da ACLU: “Estou aliviada porque, como resultado da decisão de hoje, meus filhos (…) não serão mais submetidos continuamente a demonstrações religiosas”. Ela acrescentou: “O governo não tem o direito de interferir nas decisões dos pais sobre questões de fé”.

Os grupos de defesa envolvidos na ação comemoraram a liminar e pediram que todos os distritos escolares do Texas, inclusive os que não foram citados no processo, deixem de exibir os Dez Mandamentos voluntariamente, alegando que as garantias constitucionais prevalecem sobre a legislação estadual.

“Nossas escolas são para educação, não para evangelização”, afirmou Chloe Kempf, advogada da ACLU do Texas. Segundo ela, a decisão “protege milhares de estudantes do Texas do ostracismo, do bullying e da coerção religiosa imposta pelo Estado”. Kempf acrescentou que, com a liminar, “todos os distritos escolares do Texas agora estão cientes de que a implementação da SB 10 viola os direitos constitucionais de seus alunos”.

Orlando L. Garcia já havia ganhado projeção nacional em 2014, ao declarar inconstitucional a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Texas. Naquela decisão, ele escreveu que a norma estadual “viola os direitos dos demandantes à igualdade perante a lei e ao devido processo legal, garantidos pela Décima Quarta Emenda à Constituição dos Estados Unidos”.

Na época, o magistrado afirmou ainda que “o dia da resolução definitiva e da segurança jurídica na longa e difícil jornada em busca da igualdade está mais próximo do que nunca”. Menos de um ano depois, a Suprema Corte dos Estados Unidos, no julgamento do caso “Obergefell v. Hodges”, derrubou as proibições estaduais à união entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com o informado pelo The Christian Post.



FONTE

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Recentes

Categorias

Artigos relacionados

CPI do Crime Organizado indicia ministros do STF

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), na condição de relator da Comissão Parlamentar...

Volume de pregações evangélicas no Brasil ultrapassa 170 milhões

Dados de 2019 indicavam a existência de aproximadamente 110 mil igrejas evangélicas...

Líder do Irã promete vingança e mudanças no Estreito de Ormuz

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento...

Menino de 11 anos emociona ao pregar para mais de mil crianças

Um menino de 11 anos, filho de pastores da Freedom Church em...