segunda-feira , 20 abril 2026
Lar Política Lula avalia que Toffoli abalou imagem do STF – 12/02/2026 – Política
Política

Lula avalia que Toffoli abalou imagem do STF – 12/02/2026 – Política

Ao longo das investigações em torno do caso do Banco Master, a posição do presidente Lula (PT) era que o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), deveria se afastar do processo, do qual era relator no tribunal.

O petista vinha expondo a aliados a opinião de que a permanência do ministro na investigação prejudicava a imagem da corte.

Na noite desta quinta (12), o Supremo decidiu afastá-lo após uma série de desgastes. A decisão foi tomada por unanimidade pelos ministros do STF depois de tensas reuniões realizadas ao longo do dia.

A avaliação de que seria melhor o ministro deixar o caso era compartilhada por ao menos três pessoas ligadas a Lula ouvidas pela Folha. Embora não tenha havido uma reunião formal entre Lula e seus ministros, o assunto foi discutido, sob reserva, entre ministros palacianos e também com o presidente.

No Planalto, o entendimento era de que não se deveria focar na depreciação da figura de Toffoli, mas que a situação do ministro se dificultou e tem potencial de comprometer a imagem do Supremo. De acordo com esses interlocutores, o procedimento ideal seria o afastamento do ministro do caso.

O presidente teria afirmado ser necessário encontrar uma “saída” para o tema —neste caso, o afastamento de Toffoli da relatoria.

Na manhã desta quinta (12), Lula se reuniu com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fora da agenda oficial. No encontro, realizado um dia depois da informação de que relatório da PF diz que foram encontradas menções a Toffoli no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Lula e Gonet teriam tratado de investigações policiais relativas a bets e a bancos.

A Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) afirmou que o encontro entre os dois será adicionado à agenda. A reunião durou cerca de meia hora e foi feita horas antes de Gonet participar de sessão no Supremo em que o tema seria discutido.

Segundo auxiliares do Planalto, o presidente e o PGR já haviam combinado este encontro, durante a abertura do ano no Judiciário, no início do mês. Na ocasião, ao discursar, Lula falou, na presença dos ministros da corte, incluindo Toffoli, em punição a “magnatas do crime”.

A análise de Lula contrasta com a postura adotada pela cúpula do Congresso. Como mostrou a Folha, esse grupo e o centrão têm tentado blindar Toffoli e conter as discussões sobre impeachment do ministro.

Nesta semana, a PF enviou a Fachin um relatório em que diz ter encontrado menções a Toffoli no celular de Vorcaro e mensagens apontando para pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem Toffoli entre seus sócios.

Diante disso, o presidente do Supremo, Edson Fachin, convocou para esta quinta-feira (12) uma reunião com os colegas para discutir o novo capítulo da crise envolvendo o banco.

O encontro ocorreu para que Fachin desse ciência aos demais sobre o relatório da PF e sobre a resposta que Toffoli já enviou à presidência, negando haver razões para suspeição. A Folha apurou que, na manifestação, o relator diz que não tem relações pessoais nem de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A resposta de Toffoli já foi encaminhada por Fachin à Procuradoria-Geral da República (PGR), junto à íntegra do relatório entregue pela PF, para um parecer dos procuradores.

As alegações levaram o ministro a divulgar duas notas —uma na quarta-feira, afirmando que a PF fazia “ilações”, e outra nesta quinta, em que ele nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro, embora confirme ter sido sócio do resort Tayayá.

Nos bastidores do STF, a leitura é de que o cenário se agravou para Toffoli, que a corte vive uma crise sem precedentes e que Fachin volta a estar em um fogo cruzado sobre como lidar com a intensificação dos desgastes.

A tendência é de que o presidente do Supremo negue a arguição de suspeição, já que a PF não tem legitimidade para fazer um requerimento dessa natureza. A decisão de Fachin deve ser monocrática (individual) e restrita a essa questão técnica, sem adentrar no mérito sobre as relações entre Toffoli e Vorcaro.

A reunião no Supremo ocorre no mesmo dia em que Fachin planejava fazer um almoço de confraternização entre os ministros e debater a ideia de um código de conduta —evento que acabou cancelado, conforme aviso enviado aos gabinetes em 4 de fevereiro.

Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Recentes

Categorias

Artigos relacionados

Programa Deputados Aqui leva serviços gratuitos e cidadania a Silvânia

Cidade-Polo da Região da Estrada de Ferro, Silvânia, recebeu nesta sexta-feira (17/4)...

Lula cobra mudança de comportamento de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU

Lula cobra mudança de comportamento de membros permanentes do Conselho de Segurança...

Como Lula derreteu na vantagem eleitoral que tinha em 2022

A menos de seis meses para as eleições de 2026, a situação...

FGV lançará núcleo de IA no dia 28 de abril – 18/04/2026 – Painel

A FGV Direito Rio vai lançar seu núcleo de IA no dia...