No próximo dia 3, será celebrado mais um Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Infelizmente, há pouco a ser comemorado. O cenário delicado dos últimos anos parece estar se agravando cada vez mais. De acordo com o último Relatório Mundial de Tendências da UNESCO em Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia (2022-2025), houve um crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas — uma média de 5% ao ano —, enquanto a liberdade de expressão no mundo diminuiu 10% desde 2012.
Os dados da organização não governamental Repórteres sem Fronteiras também corroboram esse contexto alarmante. Somente em 2025, foram registrados 67 assassinatos de profissionais da mídia. Desse total, ao menos 53 foram vítimas da guerra ou do crime organizado. A entidade também contabilizou 135 jornalistas desaparecidos e 503 presos.
Neste ano, a Conferência Global do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa acontece em Lusaka, Zâmbia, com o tema “Moldando um Futuro em Paz”. A nota conceitual do evento destaca diversos fatores para o recrudescimento das violações aos direitos humanos mundo afora, tais quais a emergência e a continuidade de conflitos armados, a desinformação e a restrição do espaço cívico, entre outros.
A Unesco afirma que a colaboração entre jornalistas, empresas de tecnologia, tomadores de decisão, atores políticos e sociedade civil é fundamental para fortalecer os ecossistemas de informação. De fato, ainda que esse trabalho coletivo pareça distante e até utópico em momentos como o que estamos vivendo, é indispensável considerá-lo como único caminho possível. Uma imprensa menos livre significa menos informações de qualidade, menor escrutínio dos sistemas políticos e menos variedade de fontes.
Em um contexto ultraconectado, em que a expansão da inteligência artificial generativa aprofunda desigualdades diversas e amplia o escopo da desinformação, iniciativas que promovam a proteção da integridade da informação e o impulsionamento da educação digital e midiática também fortalecem o jornalismo profissional e viabilizam a construção de uma cidadania crítica.
É claro que a complexidade do cenário global em que nos encontramos não se resolve apenas educando diferentes gerações para valorizarem as liberdades de expressão e imprensa, bem como o acesso à informação como direitos fundamentais. Todavia, é urgente que façamos essa reflexão nacional e internacionalmente, pensando também em como estamos formando crianças e adolescentes para crescerem em um mundo repleto de crises e incertezas.
Moldar um futuro em paz, como pede a Unesco, depende de inúmeros elementos, muitos fora do nosso alcance como cidadãos ou mesmo como organizações da sociedade civil. Mas não sairemos do lugar sem educar para a democracia, para a pluralidade e para a diversidade, e sem que o trabalho da imprensa profissional seja visto, protegido e valorizado.
















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