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Após denúncias de alunos, governo anuncia aumento do Fies

Depois de estudantes de Medicina que dependem do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) denunciarem o drama que vivenciam a cada semestre para se manter na universidade, o governo anunciou aumento de 30% no teto do financiamento. A decisão foi tomada pelo comitê gestor do Fies nesta quarta-feira (23) e divulgada pelo ministro de educação, Camilo Santana, em suas redes sociais.

“O teto dos cursos de Medicina vai passar de R$ 60 mil por semestre para R$ 78 mil”, informou o ministro, ao ressaltar que alunos do Fies Social – com renda familiar de até meio salário por pessoa – têm garantia de 100% do financiamento. “Não só de Medicina, mas de qualquer curso ofertado pelo Fies”, continuou.

A afirmação ocorre 10 dias após alunos de Medicina relatarem pagamento de coparticipações às universidades devido ao aumento no valor das mensalidades, que não foi acompanhado pelo Fies. “O sonho da minha vida, desde criança, sempre foi ser médica, mas minha família não consegue bancar a coparticipação”, disse a estudante baiana Ana Carolina Ferreira Cortes, de 23 anos.

Natural da cidade de Jequié, ela mora com a avó, que recebe aposentadoria de um salário mínimo, e precisou quitar, por um ano, boletos mensais da universidade no valor de R$ 425. “Pessoas da família se juntaram para me ajudar, mas o valor da coparticipação subiu para quase R$ 900 e ficou impossível”, disse à Gazeta do Povo, no início deste mês. “Tive que parar [o curso de Medicina], e estou com uma dívida de R$ 120 mil”, continuou.

Nesta quarta-feira (23), no entanto, Ana Carolina informou à reportagem que o aumento no teto possibilitará que ela retome seus estudos neste semestre. “Fiquei muito feliz”, comemorou.

Medida do governo não corrige o problema do Fies

Segundo o anúncio do ministro, o novo valor disponibilizado cobrirá a mensalidade atual de 85% dos cursos de Medicina do Brasil. No entanto, não corrige o problema do Fies, já que as mensalidades tendem a continuar subindo, assim como o endividamento dos estudantes.

Em audiência pública realizada em Brasília no último dia 8 de julho para tratar do tema, um dos diretores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), André Carvalho, alertou para a complexidade da questão.

“Hoje a inadimplência chega a 60% e a evasão está na casa de 80%”, adverte o responsável pela gestão de fundos e benefícios do FNDE. Os dados se referem a todos os estudantes do programa, totalizando quase 2,5 milhões de contratos ativos.

Segundo Carvalho, o caso precisa ser discutido porque o aluno que desiste do curso sem conquistar seu diploma não alcança o objetivo social proposto pelo Fies e também não terá condições de pagar sua dívida para que o fundo de financiamento estudantil se mantenha.

“A evasão causa uma inadimplência quase insanável”, ressaltou. Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em maio deste ano apontam que as dívidas dos beneficiários somam R$ 116 bilhões.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC) na tarde desta quarta-feira (23), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

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