A greve dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) chegou a todas as 43 escolas, faculdades e institutos, na capital e no interior.
Nesta quinta-feira (23), as unidades de medicina, direito, veterinária e a de economia, administração, contabilidade e atuária, a FEA, aprovaram seu ingresso na mobilização. Isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam paralisados.
Segundo contabilizado pela reportagem, são ao menos 110 —ou seja, cerca de 60%.
O movimento teve como estopim um bônus para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).
A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.
O mecanismo, que custará R$ 238,44 milhões por ano aos cofres da instituição, também deu início a uma greve de servidores, encerrada nesta quinta-feira (23) após a reitoria oferecer o mesmo repasse à categoria.
Agora, os estudantes também tentam extrair algo da gestão de Aluisio Segurado. Os alunos têm algumas pautas unificadas: melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.000, e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.
Nas últimas semanas, surgiram imagens de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. Esse serviço é terceirizado.
Outro tema levantado pelos estudantes é a minuta que visava regulamentar os espaços utilizados por centros acadêmicos. A medida foi cancelada. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.
Porém, as demandas individuais das unidades são bem maiores.
Na EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), a USP Leste, por exemplo, os alunos pedem a criação de uma moradia estudantil própria devido à distância do campus, em Ermelino Matarazzo, da Cidade Universitária, no Butantã.
Já na Faculdade de Medicina, a discussão é sobre a necessidade de investimento em infraestrutura e contratação de funcionários para o HU (Hospital Universitário).
Uma reunião entre reitoria e representantes discentes foi marcada para a próxima terça-feira (28).
USP proíbe aulas online e mudanças no calendário devido à greve
Em comunicado expedido na quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Graduação da USP vetou qualquer alteração no calendário acadêmico devido à greve dos estudantes.
“Não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação”, diz o texto.
Da mesma forma, segue, não está autorizada a migração de atividades presenciais para o formato remoto, tampouco que sejam ministradas disciplinas por meio de gravação.
O DCE (Diretório Central do Estudantes) diz que a nota da Pró-Reitoria é um ataque e busca desmobilizar o movimento estudantil ao permitir punições acadêmicas aos grevistas.
O que diz a reitoria sobre as demandas estudantis
Sobre permanência estudantil, a USP diz que, em 2023, foi estabelecida uma política para dar suporte à permanência e a diferentes atividades de formação estudantil. Nesse contexto, incluíram-se as bolsas e auxílios de diferentes programas.
Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP.
Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas.
















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