Lar Educação USP oferece resjuste de R$ 31 em bolsas e greve continua – 01/05/2026 – Educação
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USP oferece resjuste de R$ 31 em bolsas e greve continua – 01/05/2026 – Educação

A greve dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) deve se estender ao menos até a próxima semana. Em uma longa negociação realizada nesta quinta-feira (30), reitoria e alunos não chegaram a um acordo.

Nova reunião foi apalavrada, mas ainda não tem data definida.

O principal ponto de discórdia na tarde desta quinta foi o aumento no valor das bolsas do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). Para tentar encerrar a paralisação, a reitoria havia oferecido um reajuste anual pela inflação.

No encontro, foi detalhado aos alunos que esse aumento teria como base o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que mede apenas a alta de preços na cidade de São Paulo.

Nos últimos 12 meses, por exemplo, ele registrou variação acumulada de 3,5%. Isso resultaria em um aumento de R$ 31 no auxílio integral, hoje em R$ 885.

Os estudantes demandam que o valor chegue próximo ao salário mínimo paulista: R$ 1.804.

Criado em 2022, o Pafpe integral repassava R$ 800 aos graduandos em vulnerabilidade socioeconômica. Desde então, ele passou por dois reajustes. O primeiro foi de 6%, e o segundo, de 4%.

Na terça-feira (28), a instituição também havia apresentado sugestões sobre os restaurantes universitários, outro incômodo dos alunos. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.

Também foram colocadas propostas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.

Outro seria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas.

O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.

Esse tema, porém, seguirá sendo debatido. Segundo a USP, há necessidade de criar normas para haver segurança jurídica.

Capilaridade da greve

A paralisação dos estudantes da USP chegou a todas as 43 escolas, faculdades e institutos, na capital e no interior.

Isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam paralisados. Segundo contabilizado pela reportagem, são ao menos 110 —ou seja, cerca de 60%.

O movimento teve como estopim um bônus para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.

O mecanismo, que custará R$ 238,44 milhões por ano aos cofres da instituição, também deu início a uma greve de servidores, encerrada na quinta-feira (23) após a reitoria oferecer o mesmo repasse à categoria.

Agora, os estudantes também tentam extrair algo da gestão de Aluisio Segurado.

Em comunicado expedido na última quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Graduação da USP vetou qualquer alteração no calendário acadêmico devido à greve dos estudantes.

“Não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação”, diz o texto.

Da mesma forma, segue, não está autorizada a migração de atividades presenciais para o formato remoto, tampouco que sejam ministradas disciplinas por meio de gravação.

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