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Youtuber cristão condenado a trabalhos forçados por falar de Jesus

A Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), organização sem fins lucrativos sediada em Washington, D.C., informou que o youtuber cristão egípcio Aughustinos Samaan foi condenado a cinco anos de trabalhos forçados por publicações em defesa do cristianismo.

A FDD afirmou que a condenação incluiu as acusações de “desprezo à religião” e “uso indevido das redes sociais”. A Coptic Solidarity declarou que Samaan mantém um canal no YouTube com 100 mil inscritos e produz vídeos em resposta a material que ele considera anticristão e que circula no Egito.

A Coptic Solidarity informou que Samaan é pesquisador em apologética cristã e religião comparada. A entidade afirmou que ele foi preso em outubro e ficou inicialmente detido por 15 dias durante a fase de investigação, mas que a detenção se prolongou por meses.

Mariam Wahba, analista de pesquisa da FDD, afirmou que o sistema de prisões provisórias no país pode punir pessoas antes do julgamento. “Ao manter indivíduos detidos e isolados por longos períodos, o sistema jurídico egípcio pune efetivamente os detidos muito antes de o caso chegar a julgamento”, escreveu.

Ela afirmou que a legislação egípcia prevê limites máximos de prisão preventiva e apontou uma diferença entre regra e aplicação. “De acordo com a lei egípcia, os períodos máximos de prisão preventiva são ostensivamente limitados a seis meses para contravenções, 18 meses para crimes e 24 meses para crimes puníveis com prisão perpétua ou pena de morte. Na prática, porém, essa estrutura é rotineiramente manipulada para tornar quase impossível para os detidos obterem um julgamento ou a liberdade”, afirmou.

Mariam Wahba declarou que promotores renovam detenções de duas semanas por até cinco meses “sob o pretexto de investigações em andamento”. Ela citou o caso do egípcio-americano Mustafa Kassem, que teria permanecido cinco anos em prisão preventiva e morreu sob custódia em 2020.

A FDD e a Coptic Solidarity também citaram o caso de Saeed Mostafa, descrito como um egípcio muçulmano convertido ao cristianismo, preso semanas antes de Samaan e ainda sob custódia. Ele foi apontado como acusado de crimes que incluem “pertencer a uma organização terrorista” e “desprezo pelo Islã”.

A Coptic Solidarity afirmou que a defesa de Samaan não teve acesso aos autos e não recebeu oportunidade efetiva de atuar no caso. “Até o momento, a defesa não teve acesso aos autos do processo, nem lhe foi concedida uma oportunidade genuína de exercer o direito de defesa ou de representar o réu perante o tribunal. Essas circunstâncias levantam sérias preocupações quanto às garantias de um julgamento justo e ao direito fundamental à defesa, consagrado na Constituição egípcia e na legislação nacional”, declarou.

A Coptic Solidarity disse que a Constituição egípcia prevê liberdade de expressão e de crença, mas afirmou que essas garantias não se aplicam de forma igualitária. Mariam Wahba afirmou que o caso mostra o uso dessas normas como instrumento de coerção contra minorias religiosas. “O caso de Samaan destaca como essas leis funcionam menos como salvaguardas para a harmonia religiosa, como pretendia o Cairo, e mais como instrumentos de coerção. Este processo reforça a vulnerabilidade dos cristãos dentro do sistema jurídico egípcio, sinalizando que a expressão religiosa minoritária permanece condicional e punível”, afirmou.

A organização Portas Abertas informou que o Egito ocupa a 42ª posição na Lista Mundial de Perseguição 2026, que classifica 50 países com maior pressão e violência contra cristãos. “No Egito, a maioria das violações da liberdade religiosa ocorre em nível comunitário. Isso inclui o assédio a mulheres cristãs e a expulsão de cristãos por multidões após suposta blasfêmia. Esses incidentes acontecem principalmente em áreas rurais do Alto Egito e em algumas áreas urbanas economicamente desfavorecidas, especialmente quando extremistas islâmicos estão presentes”, informou a entidade, de acordo com a emissora CBN News.

A Portas Abertas afirmou que pessoas que deixam o Islã e se identificam como cristãs enfrentam maior perseguição. Gia Chacon, fundadora da organização For the Martyrs, declarou que busca ampliar a conscientização sobre a perseguição a cristãos e afirmou: “Apesar da tragédia mais inimaginável e dos crimes horríveis contra a humanidade, eles ainda tinham esperança e mantiveram a sua fé”.



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