Lar Educação Brasil chega a 72% de escolas com conectivade adequada – 06/05/2026 – Educação
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Brasil chega a 72% de escolas com conectivade adequada – 06/05/2026 – Educação

Quase um terço das escolas públicas do Brasil ainda não tem conexão suficiente à internet, mas o percentual de escolas em níveis adequados de conectividade passou de 43% em 2023 para 72% em março deste ano, de acordo com dados do governo Lula (PT).

Ainda há diferenças regionais relevantes entre os estados, com governos tendo em seus caixas um saldo de R$ 1,97 bilhão, garantidos por lei federal aprovada ainda em 2021. Em unidades da região Norte, como Amazonas, Acre, Roraima e Amapá, índices de adequação variam entre 58% e 30%.

O estado de São Paulo tem o sexto pior resultado do país, com 64% das escolas com conectividade considerada adequada, segundo os dados do MEC (Ministério da Educação). No topo do ranking, estão o Paraná e Piauí, com 86% e 84%, respectivamente.

Conectar todas as escolas públicas do país foi um dos compromissos assumidos pelo presidente Lula no início do atual mandato. Em 2023, o governo lançou o Enec (Estratégia Nacional de Escolas Conectadas) e prometeu universalizar a conectividade.

No fim do ano passado, o MEC criou um indicador, que divide as escolas em cinco níveis. São levados em conta fatores como acesso e qualidade da velocidade e do wi-fi.

Enquanto 99 mil escolas têm condições consideradas adequadas para uso pedagógico (nos níveis 4 e 5), outras 39 mil estão fora desses parâmetros. Dentro desse grupo, 7.300 (5%) não têm conexão adequada nem Wi-Fi.

Entre as unidades com conectividade adequada, 16,3 mil têm velocidade adequada, mas rede de wi-fi insuficiente (nível 4). E as outras 82,6 mil integram o nível mais alto do indicador, com internet e wi-fi adequados.

A criação do indicador buscou aferição mais segura da conectividade, com a combinação de fatores, embora ainda dependa de declarações de gestores.

Em abril de 2025, antes da criação do indicador, havia 15 mil escolas consideradas com conexão adequada, mas com velocidade real que não atendia a comunidade escolar, segundo mostrou o jornal O Estado de S. Paulo.

O índice considera, em março, 138.086 escolas. São 239 unidades a mais do que o registrado em fevereiro deste ano, segundo dados obtidos pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública, e fornecidos à reportagem. Questionado, o MEC afirma que isso “reflete a dinâmica da rede escolar”.

O governo destravou recursos do leilão do 5G direcionados à conectividade de escolas, do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) e do orçamento do MEC. Foram executados até agora R$ 2,6 bilhões para essa infraestrutura, diz o ministério.

Os desafios para o uso pedagógico passam por outras questões. Menos da metade das escolas públicas (46%) possui computadores em quantidade considerada adequada, segundo análise do Censo Escolar feita pela MegaEdu, entidade ligada à Fundação Lemann e que atua em parceria com o MEC no tema. Além disso, 1 em cada 3 escolas não possui dispositivo para estudantes.

“Temos um mix de fontes de financiamento, a maior parte em um bom ritmo de execução, e há oportunidade de conseguir acelerar mais este ano”, diz a CEO da MegaEdu, Cristieni Castilhos, que ressalta os avanços registrados na região norte, historicamente mais defasada.

O painel do MEC indica que 62,5% das escolas da região Norte têm conectividade adequada —abaixo da média nacional, mas um forte avanço frente aos 23,6% de 2023.

Verba parada

Um dos pontos críticos é a falta de execução de R$ 1,97 bilhão oriundo de lei de 2021, parados nos caixas dos estados. A lei, aprovada como medida emergencial na pandemia, previu R$ 3,5 bilhões para ações de conexão.

O dinheiro só chegou em 2022, após o governo de Jair Bolsonaro (PL) ter entrado na Justiça para não pagar. Com rendimentos do dinheiro parado, o total subiu para R$ 4,1 bilhões. Se não for usado este ano, o dinheiro volta para o Tesouro.

Metade do saldo em caixa está em quatro estados: Rio de Janeiro (R$ 271,5 milhões), Minas Gerais (R$ 262,8 milhões), Amazonas (R$ 159,5 milhões) e Maranhão (R$ 141,3 milhões).

O Rio informou que os recursos estão em planejamento: metade para chromebooks e metade para wi-fi. A gestão também disse ter repassado R$ 5 milhões às escolas em 2025.

Minas Gerais afirma ter executado cerca de R$ 151 milhões e contesta os dados federais, dizendo haver apenas R$ 4,3 milhões restantes. Segundo o estado, os recursos foram usados em equipamentos e infraestrutura de rede.

A pasta mineira também afirma que o indicador do Enec não reflete a realidade e que 97% das escolas estão conectadas segundo o Censo, que não considera todos os critérios do índice.

Em nota, a secretaria de Educação do estado de São Paulo diz que o tema é prioridade e argumenta que o Censo indica alta de escolas com internet, chegando a 98,5% em 2025.

Sobre o dinheiro parados, a pasta paulista diz que os valores referem-se a rendimentos e restos a pagar, e as propostas de aplicação já estão encaminhadas.

A secretaria do Acre informou que trabalha para otimizar o recurso público, evitando sobreposição. A meta da pasta é fechar 2026 com 85% de cobertura na rede estadual.

Procuradas por email, as pastas do Amazonas, Amapá e Maranhão não responderam.

Para o professor da faculdade de Educação da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Nelson Pretto, é crucial continuar a conectar escolas, principalmente em tempos de IA e veto a celulares nas escolas.

“É conectar escolas com soluções livres, governança de dados, dentro de um debate amplo do qual a escola não pode se furtar”, diz ele, ressaltando que o fenômeno das redes sociais “sequestrou” a internet. “Internet precisa ser construída por todos, para professores e alunos serem os autores que vão construir o conteúdo. É necessário um verdadeiro mutirão nacional de informações para uso das tecnologias.”.

Para Castilhos, o mundo aprendeu que a tecnologia, para ter impacto na educação, “precisa ser na sala de aula, com intenção e instrução pedagógica”.

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