Lar Educação IA no Enem e vestibular: como usar nos estudos da redação – 03/05/2026 – Educação
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IA no Enem e vestibular: como usar nos estudos da redação – 03/05/2026 – Educação

Com a popularização da inteligência artificial, os estudantes buscam maneiras práticas de aliar as plataformas à rotina de estudos para os vestibulares e para o Enem. A presença dessas tecnologias também já entrou no modo como os candidatos encaram o planejamento e a escrita de uma redação.

O uso correto das IAs garante o equilíbrio entre a facilidade digital e o esforço intelectual exigido no dia da prova, o que afasta o risco de dependência passiva da ferramenta.

“O uso da inteligência artificial precisa ser encarado da mesma forma que se aprende a usar outras ferramentas ou oportunidades”, explica Cláudio Hasen, professor e gerente pedagógico da plataforma Descomplica.

“IA de forma alguma pode escrever por você. Assim como quando um aluno cola na prova e não aprende nada do que colocou ali, por mais que a resposta esteja certa, pedir um texto pronto para a ferramenta é um erro idêntico”, afirma Hasen.

A importância da escrita à mão no aprendizado

A facilidade da IA traz um ponto de atenção para o desempenho final do estudante. O candidato não deve abandonar a prática e o uso do lápis e do papel. O educador Sandro Bonás, CEO da Conexia Educação, empresa do Grupo SEB, compara o processo de aprendizado a um treino de alta intensidade.

“Já temos robôs humanoides, mas não os levamos à academia para fazer ginástica em nosso lugar. Se a IA fizer a redação, não é o seu cérebro que vai se desenvolver. O desenvolvimento cognitivo pressupõe estresse, desconforto e tensão”, afirma Bonás.

Os especialistas ressaltam que o aluno não consolida o aprendizado caso peça à IA para escrever um parágrafo, por exemplo. Amanda Rassi, coordenadora pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, também alerta para o risco do bloqueio criativo no instante em que o estudante se depara com a folha de prova.

“O aluno não vai aprender a escrever só lendo. Lendo você aprende a ler. Escrevendo você aprende a escrever”, afirma a coordenadora, que defende a prática no formato físico.

O uso da IA preparação e na correção da redação

A tecnologia ajuda a potencializar os estudos quando o estudante adota a ferramenta nas fases que antecedem e sucedem a escrita.

Na etapa de estruturação, por exemplo, o uso da IA ajuda o estudante a organizar as ideias principais ao solicitar repertórios socioculturais pertinentes, como referências históricas e recomendações de livros e filmes.

Após a conclusão da escrita manual, o estudante tem a chance de buscar ajustes de vocabulário, correção de erros gramaticais e de ortografia.

“Vamos supor que o tema seja violência e o aluno acabe repetindo muitas vezes essa palavra. Ele pode, depois do texto pronto, enviar o material para uma IA e pedir sugestões de sinônimos”, explica Rassi.

A variação das notas e a busca por erros

Apesar dos benefícios na revisão textual, a coordenadora adverte sobre uma possível “ilusão” das notas que plataformas abertas, não específicas para essa correção, atribuem. Um estudo interno do Redação Nota 1000 submeteu um mesmo texto cinco vezes à mesma inteligência artificial, como o ChatGPT, e o resultado revelou uma variação aleatória na pontuação.

“Enviamos a mesma redação com o mesmo comando e repetimos esse processo cinco vezes. Há modelos de linguagem que variam a nota nas cinco tentativas. O ponto central é que não dá para confiar”, alerta Rassi.

A especialista reforça que depender dessa avaliação pode gerar falsas expectativas aos estudantes. “Sempre é preciso ter um pé atrás, principalmente quando falamos de nota.”

Para contornar essa limitação técnica, Cláudio Hasen propõe uma mudança de foco na hora de avaliar os resultados. “Mais importante do que a nota final é perceber um padrão. A nota pode mudar, mas o candidato perde pontos nos mesmos critérios. Isso é uma informação valiosíssima.”.

A identificação de uma falha recorrente em uma competência gramatical, por exemplo, possibilita ao estudante direcionar os estudos exatamente para aquela deficiência.

O papel dos pais no processo de estudo com a IA

O equilíbrio na adoção dessa rotina digital de estudos também demanda uma participação familiar. Sandro Bonás afirma que a IA de acesso livre atua como “batata frita” para o cérebro, enquanto o estudo tradicional representaria o “brócolis”.

O educador sugere um modelo de estudo em conjunto entre pais e filhos para diminuir os riscos. “A recomendação é a do uso compartilhado. Costumo dizer que o adulto funciona como um córtex pré-frontal auxiliar —enquanto o do aluno ainda não se formou totalmente—, ajudando a atuar como um freio para esse estudante.”

Os especialistas reforçam os cuidados ao lembrar que as ferramentas reproduzem vieses e preconceitos, como os raciais, de gênero e de classe presentes na rede. “A IA também traz preconceitos embutidos na linguagem. Por isso, mais uma vez, é necessária a capacidade de raciocínio crítico sobre as informações que ele está recebendo”, explica a coordenadora.

O educador compara o acesso irrestrito ao ambiente virtual com o abandono de uma criança em uma grande capital. “Eu estou liberando meu filho numa metrópole, numa cidade livre, sem um adulto por perto. Eu não faria isso no mundo físico, não vou fazer isso numa IA”, afirma Bonás.

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